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A Neta da Luísa

A Neta da Luísa chama-se Bárbara. Tem 23 anos e um gosto incalculável pela escrita, moda, lifestyle e beleza. Não é uma expert em nenhum dos assuntos, mas tem uma paixão imensa por todos eles.

A Neta da Luísa

Janeiro e outras coisas.

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Janeiro nunca é um mês fácil. Apesar de já não ter o karma dos exames no meu caminho, neste quinto ano de curso (2º de mestrado) tenho a perseguir-me o relatório de estágio e a sua defesa. E não pensem que é menos trabalhoso e preocupante. A pressão é até talvez maior. E a culpa também o é, na mesma proporção. A culpa de deixar sempre tudo para a última, de não dividir por doses diárias o trabalho e por deixar acumular coisas que seriam feitas com maior sucesso caso fossem repartidas. Apesar de começar todos os anos a dizer o mesmo "Este ano vai ser diferente", "Vou fazer um bocadinho cada dia", "Vou fazer um plano de trabalho"...  a verdade é que a pressão da falta de tempo é o fator que realmente me dá motivação para trabalhar. Não posso dizer que sou desorganizada, pelo contrário. No entanto, em muitas ocasiões, faço da procrastinação o meu dia-a-dia. O "Ainda falta tanto", "Ainda tenho tempo", "Vou aproveitar enquanto não chega a data" são frases que fazem, invariavelmente, parte do meu diálogo interior, por muito que tente contrariar a tendência. 
 
Tudo isto para dizer que em Maio tenho de entregar o meu relatório final de estágio - cerca de 150 dias de vida em 100 folhas de papel. Parece muito? A mim parece-me insuficiente. O tanto que se aprende, que se cresce, que se faz, que se pensa, que se acredita e que se desenvolve é demasiado para ter limite de páginas. Mas pior que isso, pior que o ter que entregar em Maio, é ainda pouco ou nada ter feito - tirando as primeiras 6/7 páginas, pela simples razão de ter que as apresentar na segunda-feira. A cento e pouco dias desta altura decisiva, sinto-me um pouco perdida - o que escrever? a que dar prioridade? por onde começar? o que consultar? como organizar as ideias? A escrita não é propriamente uma dificuldade - quando aquilo que quero dizer é espontâneo ou aquilo que sinto é intenso - mas quando tenho de me dedicar a determinado tema, sobre o qual, provavelmente, ainda tenho tudo a aprender, não é tão simples assim. 
 
Cerca de metade deste percurso, que inicialmente me pareceu imenso (e admito, em certos dias ainda parece), já está percorrido. Parece que ainda agora era 4 de Setembro e estava eu a iniciar a minha primeira experiência na área profissional e, melhor que tudo, na MINHA área. Agora, a cerca de quatro meses do fim, vejo que realmente o tempo não passa, voa. Passa-nos por entre os dedos quando o gastamos com ansiedades e stress. Quando nos preocupamos com o fato de gostarem ou não de nós. Quando nos esforçamos, todos os dias, por agradar a todos. O tempo não nos deve escapar, e essa é uma grande lição que aprendi nestes últimos quatro meses e meio. Devemos dar o nosso melhor, fazer o nosso melhor, querer alcançar sempre o melhor e mostrar às pessoas o melhor daquilo que somos e o melhor daquilo que fazemos - mas sem nunca deixarmos de ser nós. Ao fim de mais ou menos 70 dias de uma experiência única e útil, posso afirmar com orgulho que, por muito que existam dias que se afigurem dificeis, já aprendi muito - a ter mais responsabilidade nas minhas acções, a comunicar, a estabelecer contactos e a estar atenta a tudo o que me dizem e me pedem; a ter horários para adormecer e acordar, para comer; a organizar o meu dia de forma a que ele dê para tudo o que preciso, quero e gosto. Mas a maior aprendizagem, foi, sem dúvida, que nem tudo é o que parece. Nem tudo o que dizem corresponde à realidade - isto é, nem todos os funcionários públicos se acomodam a um sistema vigente que parece favorecê-los, nem todos agem como se tivessem isenção de horário, nem todos temem que os estagiários lhes tirem o lugar, nem todos são arrogantes e manientos e nem todos são insensíveis ás dores e preocupações de quem, timidamente, se vai arriscando neste caminho novo do mundo do trabalho. Há, neste contexto, pessoas fantásticas, que nos ensinam mais do que o próprio estágio - ensinam-nos a ser melhores e a ver o mundo com mais positivismo, amor, humildade e bravura. 
 
Por isto, por tudo, e mesmo parecendo que me desviei do foco inicial deste texto, um obrigado a ti, Isabelinha. Porque o dia do obrigado, contigo, não tem data. Estou-te grata todos os dias. 
 
 
... E agora sim, vou ver se começo à séria este relatório. Afinal, quero pôr em prática uma das maiores aprendizagens que já fiz neste meu recente percurso de estagiária:
 
colocar o melhor que sou em tudo o que faço, dar o melhor de mim a tudo a que me dedico e conseguir o melhor dentro daquilo em que coloco o meu empenho e determinação.