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A Neta da Luísa

A Neta da Luísa chama-se Bárbara. Tem 23 anos e um gosto incalculável pela escrita, moda, lifestyle e beleza. Não é uma expert em nenhum dos assuntos, mas tem uma paixão imensa por todos eles.

A Neta da Luísa

Síndrome pós mestrado | Ansiedade pré mundo laboral

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Acho que é a primeira vez na minha vida que chego ao mês de Setembro sem o percecionar como um reinício: da escola, da faculdade, ou até de um estágio. E isto não é necessariamente mau, mas também não é totalmente bom. Por um lado, sabe bem fazer uma pausa - uma espécie de meses sabáticos que nos permitem fazer as coisas que gostamos, ler os livros que tinhamos em stand by, investir em pequeninos projetos ou devorar as séries e filmes que ainda não tinhamos tido tempo de ver. Sentir que o despertador não vai tocar ás sete e trinta e que temos um dia pela frente para podermos fazer tudo o que antes desejávamos mas não tinhamos tempo; ou não ter a obrigação de ir dormir cedo para garantir as oito horas de sono diárias; ou simplesmente não ter de pensar que amanhã temos aquela aula que até nem gostamos muito ou temos de  lidar com o colega de trabalho com quem não nos identificamos: por um lado, isto pode ser assim um pequeno paraíso para qualquer pessoa, mas por outro, pode também ser um descanso condenado à inutilidade. 

Tudo isto saberia muito bom se tivesse, à partida, os dias contados. Se tivessemos a certeza que "ah e tal, agora estes dois mesinhos sem fazer nenhum vão saber-me a mel". Mas não é o que acontece com a maioria de nós ou, pelo menos, com a maioria das pessoas que se encontram na mesma situação que eu: licenciatura e mestrado concluídos, uma vontade imensa de vingar no mundo laboral, uma disposição para trabalhar intensamente mas, acima de tudo, uma consciência tremenda das dificuldades que estamos a enfrentar. 

Não sei se há culpados e se os há, não sei identificar quem são. Mas sei que a questão da falta de emprego é algo verdadeiramente limitante para todos aqueles que têm sonhos, ambições, planos de vida e vontade de voar... Mesmo quando nos cortam as asas. Os dias passam e as respostas escasseiam. Os "não's" existem. Os "sim's" não chegam. E nós vamos vivendo na esperança que a situação não seja duradoura. Acreditando que a independência irá chegar. Rezando para que o nosso dia chegue. Para que alguém acredite em nós. Para que alguém aposte em nós enquanto pessoas, profissionais e mais-valias para o mercado de trabalho. 

 

Sempre me disseram que o importante é não desistir. Ir à luta e acreditar. Insistir. Procurar. Abrir a alma para mostrar ao mundo que estamos aqui e que merecemos o nosso lugar. E se o mundo não vir o que lhe tentamos mostrar... Resta-nos chegar mais perto e fazer os possíveis para nos fazermos notar.