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A Neta da Luísa

A Neta da Luísa chama-se Bárbara. Tem 23 anos e um gosto incalculável pela escrita, moda, lifestyle e beleza. Não é uma expert em nenhum dos assuntos, mas tem uma paixão imensa por todos eles.

A Neta da Luísa

Ler, Ver e Adorar #1 | A rapariga que derrotou o Estado Islâmico

 

Hoje começa uma rúbrica nova no blog. A segunda desde que este blog foi criado. 

Ler, Ver e Adorar é o espaço para refletir, comentar e opinar acerca dos livros que vou lendo e os filmes que ou vendo. É mais um conteúdo criado para partilhar com vocês mais um bocadinho de mim, mais um bocadinho dos meus dias e, por isso, mais um pouquinho da minha vida. 

 

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Cheguei ao fim deste livro a pensar na sorte que tenho em viver no país em que vivo e no quão grata devo estar pela tolerância que temos, regra geral, face às escolhas, ideologias, valores e religião uns dos outros. A história de Farida leva-nos a crer que muitas vezes nos queixamos de coisas sobre as quais não temos, sequer, motivos para falar: a história de uma rapariga que, no auge dos seus 17 anos e habituada a uma família feliz, se vê capturada, vendida, agredida e violada por alguém que se acha no pleno direito de tratar as mulheres como mercadoria e como escravas dos seus prazeres pessoais. É de notar que os fatos relatados neste livro não ocorreram há cem anos atrás, mas sim no recente ano de 2014 - numa altura em que achamos que a liberdade de escolha e expressão deveria ser um direito global jamais questionável. 

É um livro que recomendo. Não só pelo conhecimento que nos proporciona acerca da temática que aborda, mas também porque nos faz chegar ao fim com a sensação de que somos muito pouco gratos por todas as dádivas que temos e pelo facto de nos ser possível escolher, sem medos, aquilo em que acreditar. 

 

SINOSPE | WOOK

Em agosto de 2014, Farida tinha 17 anos, uma família numerosa e uma melhor amiga com quem partilhava segredos e sonhos de futuro. Na sua aldeia no Iraque reinava a paz. Mas isso era "antes".
O "depois" impôs-se com a brutalidade de um pesadelo. Decorria ainda o mês de agosto quando a sua aldeia, não-muçulmana, foi ocupada pelo Estado Islâmico. Os aldeãos enfrentaram as ameaças com a dignidade da fé. Unidos, recusaram converter-se ao Islão.
E pagaram o preço. Os jihadistas assassinaram todos os homens e rapazes, e raptaram as mulheres e crianças.
O que se seguiu está para lá dos limites da imaginação. O dia a dia feito de espancamentos e violações. A indignidade dos mercados onde o Estado Islâmico vendia as prisioneiras como se fossem gado. Mas após várias tentativas de suicídio, a revolta falou mais alto. Farida decidiu lutar até ao fim das suas forças. E um dia, os terroristas esqueceram-se de trancar a porta do seu quarto. Foi o dia com que sonhara durante os longos meses de cativeiro. Foi o dia em que fugiu pelo deserto da Síria disposta a morrer pela liberdade.

Farida Khalaf tem uma história para contar.
E é uma história extraordinária.