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A Neta da Luísa

A Neta da Luísa chama-se Bárbara. Tem 23 anos e um gosto incalculável pela escrita, moda, lifestyle e beleza. Não é uma expert em nenhum dos assuntos, mas tem uma paixão imensa por todos eles.

A Neta da Luísa

A casa está de pantanas!

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Admito, a culpa é minha. E tudo porque me lembrei que queria uma máquina de lavar loiça cá para casa. E, principalmente, porque ao fim de quase 24 anos, consegui convencer a minha mãe a termos uma. Podia ser tudo simples e maravilhoso, mas não: a cozinha antiga não tem móveis adaptados à instalação de uma máquina de lavar loiça. Os móveis não têm as medidas adequadas. É preciso adaptar. Chamámos o carpinteiro para levá-lo, cortá-lo e trazê-lo prontinho a receber uma máquina mas... quando se foi a tirar, o nosso querido móvel mostrou-se em piores condições do que aparentava inicialmente. Afinal, é preciso arranjá-lo. Dar-lhe bocadinhos de madeira nova. É preciso recompor tudo. E tudo por causa da minha triste ideia de ter uma máquina de lavar loiça - quando até nem é muito frequente ser eu lavá-la. Conclusão: a cozinha está de pantanas - sem móvel e, consequentemente, sem lava loiça. Com coisas em cima da mesa à espera do regresso do móvelzinho para serem arrumadas. Um caos. Um caos que me deixa atordoada. Sou a única a achar que, quando uma divisão está assim, parece que também o resto da casa está virada do avesso?

 

Não. A minha mãe também acha. E pior do que ter que lidar com uma casa assim, é lidar com uma mãe mal humorada e deprimida por não ter as coisas milétricamente arrumadas. Espero que, ao menos, a máquina compense. E ela fique mais feliz quando começar a conseguir usufruir melhor daquela meia hora do dia.

 

[p.s - Vou-vos ainda mostrar que a situação está pior do que aparenta: não tenho água quente na minha casa de banho. O que implica ir com as tralhas todas fazer a minha higiene diária à casa de banho dos meus pais. Sim, isto está mesmo caótico. ESQUENTADOR NOVO PRECISA-SE?!]

Isto de ser mulher em dias de frio !

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Minhas queridas amiguinhas, eu não sei quanto a vocês mas, para mim, isto de ser mulher em dias (e noites) em que a temperatura ronda os 0º, tem muito que se lhe diga. E vocês perguntam-se: e em que é que ser mulher difere de ser homem?

Muito, na minha opinião. Senão vejamos: de noite, por exemplo, enquanto nós precisamos de 100 e provavelmente mais alguns cobertores, eles conseguem sobreviver com os lençóis a tapar-lhe o pêlo. Não me perguntem como, nem porquê. O meu pai e o P., por exemplo, conseguem estar deitados no sofá, à noite, sem qualquer tipo de agasalho. A roupa do dia ou o pijamita chega-lhes. Já eu, chego a ter pena de mim própria: é pijama polar que inclui a camisola por dentro das calças, as calças por dentro da meias e tudo por dentro de tudo, é o robe quase até aos pés, a lareira coberta de lenha a arder e as mantas todas que encontrar ao meu alcance.

Cada vez mais acho que isto de ser mulher durante o Inverno rigoroso é mesmo uma tarefa árdua e uma tentativa de sobreviência contínua da nossa feminilidade. Serei a única que não se consegue sentir apresentável (já nem digo bonita!) nestes dias gélidos? Ou é porque a roupa não favorece nadinha, já que graças ao seu número infinito de camadas o que eu pareço realmente é um chouriço bem recheado - e com pernas!; ou é esta cara branca branca branca que faz parecer que morri à 15 dias e hoje voltei a ser desenterrada; ou estas mãos cheias de gretas e crostas, completamente assassinadas pelas temperaturas que me atropelam sempre que saio à rua; ou estes lábios tão secos, tão secos que nem um tubo de vaselina resolve. São tantos os motivos que me fazem desejar ter o poder de mudar de sexo nestes dias... Acho que assim sair da cama todos os dias seria muito mais fácil. Sair ao fim da tarde para dar uma caminhada seria muito mais motivador. E ser mulher deixaria de ser um sacrifício tão doloroso. 

Acho que nestas alturas deveria haver uma espécie de baixa médica para pessoas pouco tolerantes ao frio, devendo o estado ou a entidade patronal concender-nos a oportunidade de ficarmos recolhidas debaixo das mantas, à frente a lareira, numa casa com aquecimento central (e, claro, com tudo o resto a que temos direito: camisolas interiores, pijamas polares, meias de dormir e robes cheios de pelinho!). 

Isto de abrirmos a porta de casa e o nosso nariz quase cair no chão, é crime. Termos de tomar banho nestes dias é tortura (apesar do durante ser incrível, ao contrário do antes e depois). Não podermos sair à rua de pijama é pecado. E não ter lareira em cada  divisão da casa é, simplesmente, um atentado à saúde pública (apesar de eu ter a sorte de ter uma no quarto!). 

Pois é homens, dêm-se por contentes por, mais uma vez serem uns sortudos face a nós, mulheres: mesmo com frio, o vosso aspeto continua igual (se são feios continuam feios, mas se são giros, continuam giros!). Continuam a ter esse gostinho por jogar futebol, e dizem que até sabe melhor com frio e chuva. Conseguem dormir descansadinhos durante a noite, sem terem dores de costas por serem obrigados a passar as horas de sono todas em posição fetal. E, se vestirem apenas um casacão por cima da camisa fininha que trazem em cima do corpo, já se sentem agasalhados.

 

Parabéns homens, mais uma vez vocês vão à frente - já não chegava o fato de não terem período, não andarem grávidos, não terem filhos e não lidarem com as alterações hormonais que fazem com que um dia sejamos uns doces e outros um verdadeiro sumo de limão - sem açúcar!

 

[Desculpem estes pensamentos aleatórios. Mas tinha de refletir sobre isto!]

 

p.s - Faltou-me referir que ser mulher nestes dias implica também ter de realizar todas as tarefas domésticas ainda (infelizmente) associadas ao estatuto - estender roupa, passar a ferro, arrumar a cozinha, fazer o jantar - enquanto vocês, homens desnaturados, passam o serão deitados no sofá a ver todos os jogos de futebol que são transmitidos na televisão, mesmo que sejam solteiros vs casados.