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A Neta da Luísa

A Neta da Luísa chama-se Bárbara. Tem 23 anos e um gosto incalculável pela escrita, moda, lifestyle e beleza. Não é uma expert em nenhum dos assuntos, mas tem uma paixão imensa por todos eles.

A Neta da Luísa

Hoje a minha força está contigo, D.

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Hoje recebi uma triste notícia. Faleceu o pai de uma colega  – colega essa que, apesar de não ser muito próxima agora, percorreu comigo 9 anos de ensino. 9 anos de crescimento, de momentos que nos fizeram passar de meninas a mulheres. 9 anos que nos afastaram e fez cada uma de nós e cada um de nós, colegas, seguir o seu caminho. 

Mas ao fim de 8 anos, estamos novamente juntas – juntas na tristeza, na solidariedade e na percepção da pequenez que reveste este nosso caminho. Talvez seja essa a ligação que me faz, hoje, sentir solidária contigo e colocar-me, em certa parte, no teu lugar.

A dor de perder um pai deve ser indescritível. Graças a Deus não a conheço. Mas sei que agora tu, querida Daniela, sabes melhor que ninguém o que isso é. E estou triste – triste contigo e por ti, porque sei que também ainda querias viver na ignorância e desconhecer essa mágoa que também eu ainda desconheço. Imagino que, por vezes, o sofrimento das pessoas em vida pode até causar alívio quando elas partem. Sei, desde aquela vez que te encontrei no comboio, a preocupação em que vivias. Soube, desde aí, o quanto o teu coração devia estar apertado.

 Mas sei que a amargura da injustiça, da brevidade da vida, a intensidade das saudades e a tristeza da ausência consegue ser superior a qualquer conforto provocado pela certeza do descanso eterno. Sei que, neste momento, te pode parecer que essa ferida nunca vai fechar – não sei o que é perder um pai, felizmente o meu ainda está comigo, mas sei o que é ver morrer uma avó que, para mim, foi quase a mesma coisa. Sei o quanto pode ser revoltante ver que o mundo não para e que as pessoas seguem as suas vidas mesmo quando a nossa parece paralisar. Sei que nos apetece fazer perguntas, dar gritos, obter justificações divinas. Sei que sentimos que não merecíamos, que não esperávamos. Sei que a esperança que mantivemos até ao último segundo, cai no chão e se parte em mil pedaços. Sei que queremos voltar atrás em tantos momentos, pedir desculpa por tantas coisas, aproveitar melhor tantos dias e ser melhores, mais presentes, mais pacientes, mais compreensivas. Sei que parece que a cicatriz vai sempre ser enorme, demasiado exposta e impossível de disfarçar. Mas também sei, minha querida, que ela não desaparece, mas diminui. O tempo é um bom curativo, acredita em mim. E acima de tudo, acredita nele. Deixa que as lágrimas caiam enquanto fizerem força para cair. Deixa que elas sequem, quando o passar dos dias assim permitirem. Mas deixa, fundamentalmente, que a tua vida não acabe, por muito que te possa parecer descabido fazê-la continuar. Deixa-te viver esta infelicidade, mas permite-te,a seguir, encontrar forças para te voltares a sentir feliz. Ele quereria isso e tu deves fazê-lo com toda a força, não só por ti, por ele, mas por todos os que ficam. E que merecem continuar. Com força, motivação, paz e união, dando-lhe motivos para sentir orgulho. Porque de uma coisa eu tenho a certeza: o orgulho não morre, ele vive mesmo na dor da distância e no gelo da ausência.

Muita força. Coragem. Determinação e amor.

Um beijinho e um abraço apertado.