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A Neta da Luísa

A Neta da Luísa chama-se Bárbara. Tem 23 anos e um gosto incalculável pela escrita, moda, lifestyle e beleza. Não é uma expert em nenhum dos assuntos, mas tem uma paixão imensa por todos eles.

A Neta da Luísa

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É verdade, já cheira a natal no ar. Apercebo-me disto quando a minha mãe começa a preocupar-se com o bacalhau e compra os frutos secos. 

Seria hipócrita se dissesse que não gosto desta época - eu adoro particularmente o natal. E não sou como a maioria das pessoas, que diz dar-lhe menos importância com o passar dos anos. Eu gosto da azáfama do dia 24, do cheiro a rabanadas e arroz doce na cozinha, de pôr a mesa para toda a família ao final da tarde e de ver a felicidade dos mais pequenos na hora de abrir as prendas. É certo que esta parte mais comercial é a menos importante, mas é aquela que vai deixando os mais pequeninos de sorriso no rosto. 

A quadra natalícia é sempre, para mim, época de grande reflexão. Aproveito para olhar para trás e ver tudo aquilo que se alterou desde o último natal - que funciona sempre, como um marco na cronologia da minha vida. 

Falando deste ano em particular, a única constatação que tenho vindo a fazer nos últimos dias é que, nesta altura podia pedir coisas que não preciso, coisas que nem quero ou que até nem me fazem falta. E a pequena crueldade da vida verifica-se quando tenho consciência de que aquilo que, por outro lado, eu realmente queria, não posso pedir - e muito menos posso ter: a presença de quem já partiu.

Mas o natal é época de alegria, e mesmo que em algum dia não vá sendo, temos de fazer por o tornar nisto mesmo: felicidade, paz, união, harmonia e amor. É por isso que, mesmo com a ausência de quem mais amamos, vou fazendo por manter sempre estes dias em dias especiais - porque o são, pelo simples facto de estarmos com aqueles que nos viram crescer, com aqueles com quem nem sempre temos oportunidade de estar e com aqueles que nos aquecem o coração mesmo durante as temperaturas mais baixas. As recordações e as lembranças daqueles que partiram não deixam que esta época seja triste, pelo contrário - aguça a fé de que há anjos da guarda que nos têm protegido e nos fazem manter aqui, felizes e com saúde, ano após ano.

 

Aproveito sempre esta altura para pensar, também, no quanto tenho de estar grata a qualquer que seja a entidade divina que vai sempre colocando coisas boas no nosso caminho. A minha família está, aparentemente, de boa saúde, os meus pais mantém os seus empregos, a minha irmã cresce de forma natural e saudável, o meu avô, apesar dos seus 83 anos, mantém-se consciente e independente, os meus avós maternos não têm problemas graves, as minhas colegas de trabalho são um grande apoio e motivação para o meu sucesso e o meu namorado continua ao meu lado, apesar do meu terrível mau feitio. O estágio corre bem, tenho comida fresquinha à mesa todos os dias, roupa quente para vestir nos dias frios, uma casa acolhedora em que me posso refugiar nas épocas mais revoltas e os meios necessários para trabalhar no meu percurso académico e profissional. Não tenho nada a pedir, apenas que, se não for possível melhorar, tudo se mantenha como está...

 

... Porque afinal, as coisas mais simples da vida, são as que me fazem feliz. E essas, felizmente, eu tenho-as comigo.