Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

A Neta da Luísa

A Neta da Luísa chama-se Bárbara. Tem 23 anos e um gosto incalculável pela escrita, moda, lifestyle e beleza. Não é uma expert em nenhum dos assuntos, mas tem uma paixão imensa por todos eles.

A Neta da Luísa

Podes não mudar o mundo, mas ajudar a torná-lo num lugar melhor.

 

tumblr_nomg4lXD5P1tozi1xo1_500.jpg

 

Quando pedi ideias e sugestões sobre temáticas que as leitoras mais assíduas gostariam de ver tratadas no blog fui surpreendida com um grande desafio: escrever algo sobre aquilo que podemos fazer, diariamente, para mudar o mundo. Refleti sobre o assunto. Dormi sobre ele. E hoje não consigo ser utópica o suficiente para acreitar que podemos mudar o mundo - mas sou realista ao ponto de perceber que todos nós podemos melhorar uma parte dele. 

 

Esta sugestão fez-me relembrar uma situação que ocorreu comigo há uns meses atrás. 

 

Estava de saída para o estágio e deparo-me com um senhor de idade a cair à frente de minha casa. Andava a pé e, mais grave que tudo, andava a pé sozinho. Estou certa de que a sua idade pairava algures entre os 80 e os 90 anos. Uma idade que, junto com as doenças que depois vim a saber que tinha, contribuia para toda a fragilidade que os meus olhos, de mãos dadas com o meu coração, puderam alcançar. Sangrava das mãos e queixava-se de um joelho. Tinha duas pessoas (pelo que percebi familiares afastados) que já tinham ido em seu auxílio mesmo antes de mim. Ao ver o sofrimento espelhado nos olhos daquele ser humano, que tanto carinho me despertou logo à partida, ofereci-me para o levar ao centro de saúde. Aceitou e, pelo caminho, contou-me parte da sua história. História essa que tornou o meu coração mais débil do que o que ele já estava . Tinha perdido um filho - e chorava de saudades. Via-se, em cada palavra atropelada pelas lágrimas, o sofrimento em que vivia - a dor que o impedia de ser feliz. Afinal, não é justo que, em determinadas circunstâncias da vida, um filho seja tirado ao seu pai - para sempre.

A empatia que criei com o senhor fez-me oferecer para esperar enquanto ele era atendido pelas enfermeiras. No centro de saúde, disseram-me que não valia a pena, que ele voltaria a casa em segurança. Fui embora de coração nas mãos e lágrimas não só nos olhos, mas na alma. Ao almoço, contei o sucedido aos meus pais que, pelos relatos, prontamente identificaram o senhor. Pedi ao meu pai para ir comigo a casa dele, para me certificar que tinha chegado ao sítio onde o esperavam, em segurança. A esposa abriu-me a porta e vi que ele estava ao fundo da sala, a almoçar. O meu espírito acalmou e senti, como nunca antes tinha sentido, que a minha missão estava cumprida. 

 

Nesse dia pensei, sobretudo, no quão sós muitas pessoas estão. Na falta de amparo que elas sentem. Pensei "e se fosse comigo?". Questionei-me se fosse um dos meus avós. Fiquei triste por saber que há tantos idosos atirados ao abandono da sorte e magoados pelas trafulhices da vida. Mas, acima de tudo, senti-me grata por ter tido a capacidade de ajudar, mesmo que de forma tão insignificante. Senti orgulho por não ter ignorado a situação e, acima de tudo, orgulho por ter a capacidade de sentir e por o meu coração não me falhar nestas situações dramáticas. 

 

Depois daquele episódio, concluí que todos temos o poder de tornar o mundo num lugar melhor. Dando a mão a um velhinho que cai, ajudando um invisual a atravessar a rua, apanhando as compras que caiem do saco daquela senhora que segura a muleta com um sacrifício imenso. Através de pequenos gestos, podemos colaborar para a transformação que desejamos ver. 

 

Se puderes, torna-te voluntário - nem que seja apenas um voluntário do bem. Visita quem está só. Dá ás roupas que já não usas e os brinquedos que um dia tanto gostaste. Oferece um sorriso a um olhar despedaçado que se cruse no teu caminho. Dá boleia à vizinha que vai a pé. Empresta os apontamentos aquele colega que sabes que tem mais dificuldades. Convida um amigo que viva sozinho para jantar. Faz um bolo e partilha. Acima de tudo, sê feliz e partilha essa felicidade.

 

Acredita, a felicidade é das poucas coisas na vida que nos torna mais ricos quando a partilhamos.

 

p.s - Inspira-te na página - Sê a Mudança | Be the Change - O projeto em questão já terminou, mas o dever que todos temos de contribuir para que o mundo seja um lugar melhor, não tem fim.