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A Neta da Luísa

A Neta da Luísa chama-se Bárbara. Tem 23 anos e um gosto incalculável pela escrita, moda, lifestyle e beleza. Não é uma expert em nenhum dos assuntos, mas tem uma paixão imensa por todos eles.

A Neta da Luísa

Rufia

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Quando temos animais e, acima de tudo, quando os amamos, dói muito ver quando a vida deles se aproxima do sofrimento que tememos ser o final. Quando eles andam bem, de boa saúde, esquecemo-nos que um dia eles podem ficar doentes e abandonar-nos de uma forma bastante cruel. A minha velhota está doente, e cá em casa, todos estamos doentes com ela. As feridas abertas no seu corpo, são as feridas que custam a fechar no nosso coração, cada vez que uma das nossas mascotes adoece. Não sei precisar à quanto tempo a Rufia está na nossa vida, apenas sei que a nossa vida em comum ultrapassa, certamente, os dez anos. E ao longo de todos esse anos, crescemos todos em conjunto, numa aprendizagem constante acerca do amor verdadeiro e da gratidão incondicional.Cada vez mais defendo que os animais são os melhores amigos que podemos ter. E os mais fiéis. Mais genuínos. Mais verdadeiros. E os meus, são também os mais carinhosos. A Rufia adora lareira. Gosta de, todos os dias de manhã, durante o Inverno, sentar-se no parapeito a aproveitar o escasso calor das cinzas. Gosta de fazer conchinha com a White, sua filha, apesar de muitas vezes andarem numa luta constante pela superioridade na nossa casa. Gosta da comida em formato paté e de apanhar banhos de sol esticada no azulejo do jardim. Gosta de mimos e de dormir nas nossas camas, principalmente na da Rita e dos meus pais. Mas a Rufia não gosta de estar doente. Não gosta de ter tumores mamários. Não gosta que, o simples fato de lhe querermos dar colinho, lhe cause dor e desconforto. Detesta que o tumor faça esticar a pele e, consequentemente, que esta abra e cause danos físicos dolorosos e sensíveis. Não gosta de ouvir a veterinária (incrivelmente espetacular) dizer que a tendência é piorar, apesar da ferida estar ainda no início e trabalharmos no sentido de a tentar cicatrizar, independentemente da permanência dos nódulos - que, dado à idade e ao desconhecimento do estado interno da nossa velhinha, não poderão ser intervencionados, ainda por cima quando, possivelmente, já existem metástases. A Rufia não gosta de usar o colar - dificulta-lhe a dormida, a alimentação, o conforto e até o andar. A Rufia chora com os curativos - ontem, vi-lhe cair uma lágrima, provavelmente do ardor causado pela Betadine e o Bepanthene. E caiu-me uma lágrima também, muitas, aliás. Lágrimas que se perpetuaram noite adentro. Que perpetuam na alma. Mas a doutora diz que ela não está em sofrimento. Que anda bem, come bem e parece tranquila. Não tem febre e os batimentos cardíacos estão normais. Ainda é feliz. E talvez por isso, as minhas lágrimas são de quem ainda tem força para ir à luta e tentar manter-se forte para lhe proporcionar a melhor qualidade de vida possível, enquanto ela se mostrar capaz de viver. Nós também não gostamos que ela esteja doente. Também não gostamos de ter que lhe fazer os curativos. Também não gostamos de a ver chorar nem de chorar com ela.

 

Mas infelizmente, a vida também é feita de coisas que não gostamos... O pior é quando essas mesmas coisas envolvem aqueles que mais amamos.

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